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Justiça beneficia aluno hiperativo
O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5ª)
determinou ontem que o estudante Paulo Melcop, 14, seja provisoriamente promovido
à 7ª série do Colégio de Aplicação,
vinculado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O garoto sofre
de hiperatividade e foi reprovado na 6ª em maio deste ano, quando terminou
o ano letivo. Por unanimidade, a 4ª turma do Tribunal, composta pelos desembargadores
Ivan Lira (relator), Lázaro Guimarães e Francisco Barros Dias,
acatou o recurso movido pela família, que alega discriminação.
Os magistrados determinaram que o adolescente freqüente a turma mais avançada
até que seja submetido a uma avaliação específica,
que considere as deficiências provocadas pelo distúrbio da hiperatividade
no seu desempenho escolar. "É fundamental que a escola realize a
apuração do desenvolvimento pedagógico (do garoto) considerando
o fato dele ser portador da síndrome", justificou o desembargador
federal Ivan Lira.
A decisão da Justiça foi respaldada por um relatório produzido
pelo coordenador do Centro de Estudos Inclusivos da UFPE, Francisco Lima, designado
pelo Ministério da Educação (MEC) para acompanhar o caso.
O especialista informou que a hiperatividade, denominada na comunidade científica
como TDAH, prejudica a concentração, mas não compromete
o desempenho intelectual do paciente.
Matérias - O estudante foi reprovado em matemática (equação
e números inteiros), em educação física nas áreas
de xadrez e damas (jogos que exigem concentração, o que é
difícil para uma pessoa hiperativa) e em uma disciplina de artes. A família
de Paulo acredita que, apesar de a escola se dizer inclusiva, ela não
ofereceu atendimento pedagógico necessário e adeqüado ao
adolescente.
A decisão foi bastante comemorada pelos pais do estudante, que acompanharam
o julgamento do recurso ontem à tarde. A mãe de Paulo, a bancária
Flávia Melcop, disse que o filho estava constrangido e se recusava a
voltar a cursar a 6ªsérie. "Foi uma vitória. Falei com
ele agora por telefone. Estava radiante e já começou a ligar paraos
colegas dizendo que ia voltar. Fui abordada por diversas mães que tinham
passado pelo mesmo problema", relatou Flávia Melcop.
O diretor do Colégio de Aplicação, Mário Honorato,
estava viajando e afirmou que não tinha conhecimento da decisão
da Justiça. Ele preferiu não comentar o caso.
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